Produção de leite materno: por que tantas mães acham que “não têm leite”?

Especialista em amamentação, Bruna Ramos, explica os principais erros que prejudicam a produção de leite e orienta como garantir uma amamentação eficiente e tranquila

Por TâNIA OLIVEIRA
4 Min

Produção de leite materno: por que tantas mães acham que “não têm leite”?
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A produção de leite materno ainda é cercada de dúvidas, mitos e orientações ultrapassadas que podem comprometer todo o processo de amamentação. Para muitas mães, insegurança, excesso de palpites e práticas inadequadas fazem com que a produção diminua, e, em alguns casos, levem ao desmame antes do esperado.
A especialista em amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, explica que grande parte das dificuldades não tem relação com “quantidade de leite” produzida pela mãe, mas sim com rotinas e manejos incorretos.

Os principais erros que “derrubam” a produção de leite

1. Controlar horários de mamada
A antiga orientação de amamentar “a cada 3 horas” já caiu por terra. A recomendação atual é a livre demanda — quando o bebê quer ou a mãe sentir que precisa dar mama. Além de atender às necessidades do bebê, esse ritmo natural é essencial para manter a produção ativa.


2. Esperar o peito encher para oferecer
Segundo Bruna, esse é um dos mitos mais prejudiciais. Quanto mais tempo a mama fica cheia, mais sinais o corpo recebe para reduzir a produção. Após o período de ajuste da produção, que ocorre por volta de 4 a 12 semanas do nascimento, a maior parte do leite é produzida durante a própria mamada.

“O peito passa a ficar murcho e isso gera muita insegurança. Mas se o bebê não usa bicos artificiais, está ganhando peso, crescendo, se desenvolvendo e saudável, a mãe não precisa se preocupar” orienta Bruna.

3. Achar que todo choro é fome
“Bebês choram por sono, desconforto, insegurança, necessidade de contato… O peito é mais do que só para saciar a fome do bebê”, explica. Essa interpretação errada, aumenta a insegurança materna e a introdução precipitada de complementos.


4. Palpites, críticas e falta de apoio
A pressão familiar e comentários inadequados têm impacto direto no emocional da mãe, e isso influencia na produção.

"Palpites como 'seu leite é fraco', 'ele está passando fome', 'esse bebê chora porque está com fome', além de não ajudarem, deixam a mãe insegura com sua produção", reforça Bruna.

5. Uso de bicos artificiais
Mamadeira, chupeta, sonda e intermediário de silicone podem prejudicar a pega e diminuir o estímulo necessário para manter o leite.

"Não existe leite fraco! Todo leite materno contém os nutrientes que o bebê precisa. O que ocorre em alguns casos é o bebê não estar conseguindo fazer uma extração eficaz do leite", afirma Bruna Ramos.
"Profissionais desatualizados, que não sabem manejar corretamente a amamentação e que querem que o bebê ganhe um mínimo de peso por mês também podem levar à introdução desnecessária de fórmula", completa.

Apoio e informação: o caminho para amamentações bem-sucedidas
Bruna reforça que o início da jornada pode ser desafiador, mas melhora com orientação adequada:
“Sei que o começo principalmente não é fácil. Estamos em um momento novo, de adaptação… Mas passa, e tudo vai fluindo.”

Ela destaca a importância de preparar-se ainda na gestação e buscar profissionais atualizados e que entendam de amamentação ao menor sinal de dificuldade para evitar intervenções desnecessárias que prejudicam o aleitamento.
 

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TÂNIA REGINA ALMEIDA DE OLIVEIRA
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