A sobrecarga das mulheres no Brasil não é novidade, mas continua sendo tratada como se fosse um detalhe da vida cotidiana e não como um problema estrutural. A maioria das políticas públicas brasileiras ainda é construída como se todas as pessoas tivessem as mesmas condições, horários, rotinas e responsabilidades. Mas isso simplesmente não é verdade. A desigualdade de gênero atravessa cada decisão diária e impacta diretamente a saúde física e emocional das brasileiras.
Enquanto muitos países discutem políticas de cuidado, o Brasil ainda trata funções como cuidar de crianças, administrar a casa, acompanhar idosos e dar conta das demandas emocionais da família como se fossem obrigações naturais das mulheres. Não são. São jornadas de trabalho não remuneradas que consomem tempo, energia e saúde. E isso tem consequências sociais claras: menor participação no mercado de trabalho, maior incidência de transtornos emocionais, salários menores, menos oportunidades de estudo e menos independência financeira.
A sobrecarga é ainda maior quando o sistema falha. Se não há vaga na creche, a mãe altera sua vida profissional. Se o transporte público atrasa, é a mulher que enfrenta dificuldades no trabalho. Se um filho adoece, é ela quem falta. A falha não é da família, é de políticas públicas insuficientes, incapazes de oferecer suporte adequado.
Existe outro ponto que precisa ser dito: o Brasil exige que as mulheres sejam resilientes o tempo todo. A resiliência virou um elogio vazio usado para justificar a falta de estrutura. Ser resiliente não é solução quando a causa do problema é coletiva e institucional. A mulher não precisa de mais força, precisa de oportunidades, suporte e equidade.
Saúde mental também entra nesse debate. As mulheres lideram os índices de ansiedade, depressão e esgotamento por uma razão simples: acumulam as responsabilidades de todos e recebem bem pouco em retorno. A sociedade culpa o comportamento, mas ignora a estrutura que produz adoecimento.
Superar esse cenário exige colocar políticas de cuidado no centro da agenda: expansão de creches integrais, programas de apoio a mães solo, flexibilização de jornadas, incentivo a empresas que implementam práticas de equidade, investimento em saúde mental pública e integração real entre transporte, educação e assistência social.
Sou Aline Teixeira, e defendo que uma sociedade justa não se constrói pedindo que mulheres sejam heroínas, mas garantindo que tenham direitos, tempo e condições para viver com dignidade. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.