Férias em alerta: hábitos que parecem inofensivos, mas afetam o coração

Mudanças na rotina, exageros pontuais e descuidos comuns no período de descanso podem sobrecarregar o sistema cardiovascular, especialmente em quem já possui fatores de risco

Por STEFANI QUARESMA
5 Min

Férias em alerta: hábitos que parecem inofensivos, mas afetam o coração
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As férias costumam ser associadas a descanso, lazer e liberdade de horários. No entanto, esse período também representa um momento de atenção para a saúde do coração. No Brasil, as doenças cardiovasculares seguem como uma das principais causas de morte, e alterações bruscas na rotina, comuns durante viagens e recessos, podem aumentar o risco de descompensações, sobretudo entre pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de problemas cardíacos.

O organismo depende de equilíbrio. Quando sono, alimentação, uso de medicamentos e nível de atividade física mudam de forma repentina, o sistema cardiovascular precisa se adaptar. Nem sempre esse esforço é percebido, mas ele existe e pode se manifestar por meio de sintomas como cansaço excessivo, palpitações, tontura ou mal-estar. A seguir, veja hábitos frequentes nas férias que merecem atenção redobrada.

Pausar medicamentos sem orientação

Um dos deslizes mais comuns durante viagens é relaxar com os horários ou até suspender o uso de medicamentos. A quebra da rotina favorece esquecimentos, mas interromper tratamentos contínuos pode trazer consequências importantes. Remédios usados para controlar pressão arterial, colesterol, arritmias ou glicemia não devem ser pausados sem orientação médica, mesmo por poucos dias. A interrupção pode levar a picos de pressão, alterações do ritmo cardíaco e maior risco de eventos agudos.

Exageros à mesa e no consumo de álcool

Confraternizações fazem parte do clima de férias, mas exagerar com alimentos muito gordurosos, salgados e bebidas alcoólicas sobrecarrega o coração. O excesso de sal contribui para retenção de líquidos e elevação da pressão arterial, enquanto o álcool pode acelerar os batimentos e favorecer arritmias. O problema não está em aproveitar momentos especiais, e sim na falta de limites ao longo de vários dias consecutivos.

Atividade física intensa sem preparo

A vontade de “compensar” o sedentarismo é comum nas férias. Caminhadas longas, trilhas, esportes na praia ou na piscina podem ser positivos, desde que respeitem o condicionamento individual. O esforço súbito, especialmente sob calor intenso, aumenta a demanda do coração por oxigênio e pode provocar falta de ar, dor no peito ou palpitações. Pausas, hidratação e progressão gradual da intensidade são fundamentais para evitar sobrecarga.

Desidratação e excesso de calor

Altas temperaturas, exposição prolongada ao sol e ingestão insuficiente de água favorecem a desidratação. Quando o volume de líquidos no corpo diminui, o coração precisa bater mais rápido para manter a circulação adequada. Este cenário pode causar queda ou elevação da pressão, tontura e mal-estar, além de agravar doenças cardiovasculares já existentes. 

Sono irregular e noites mal dormidas

Dormir menos ou fora dos horários habituais é comum durante as férias, mas o sono interfere diretamente no funcionamento do sistema cardiovascular. A privação de descanso eleva hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina, desorganiza o controle da pressão arterial e reduz a capacidade do organismo de se recuperar. Manter uma rotina mínima de sono, mesmo em viagens, ajuda a proteger o coração.

Estresse durante deslocamentos e imprevistos

Embora as férias sejam vistas como um período relaxante, deslocamentos longos, aeroportos cheios, atrasos e a própria organização da viagem podem gerar tensão. Essas situações ativam mecanismos de alerta do corpo, elevando a frequência cardíaca e a pressão arterial. Técnicas simples, como planejar com antecedência, respeitar pausas e manter a calma diante de imprevistos, ajudam a reduzir esse impacto.

Atenção aos sinais do corpo

Independentemente da época do ano, sintomas como dor no peito, falta de ar persistente, palpitações frequentes ou desmaios não devem ser ignorados. Em situações de avaliação médica, exames com o eletrocardiógrafo fazem parte da rotina para identificar alterações no ritmo cardíaco e orientar condutas adequadas.

Conclusão

Férias são importantes para a saúde física e mental, mas não significam descuido. Pequenas atitudes de equilíbrio permitem aproveitar o período de descanso com mais segurança, preservando o bem-estar e a saúde do coração.


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STEFANI QUARESMA SAN MARTINS
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