O mês de março concentra um calendário robusto de conscientização voltado à saúde feminina. A intersecção do Mês da Mulher com as campanhas do Março Lilás (câncer do colo do útero) e Março Azul (câncer colorretal), por exemplo, amplia a visibilidade sobre a prevenção e cuidados com a saúde. No entanto, a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA) utiliza esse período para levantar um alerta: para além das campanhas sazonais de conscientização, existe uma profunda dívida social e um déficit estrutural da sociedade para com as mulheres em jornada oncológica no Brasil.
"Quando falamos em dívida social, referimo-nos ao acúmulo de falhas estruturais que prejudicam a mulher em jornada oncológica. É o tempo desperdiçado nas filas de espera, o abismo tecnológico que lhe nega o acesso aos tratamentos mais modernos e adequados para o seu caso, as dificuldades geográficas de poder buscar um centro oncológico próximo e o desamparo socioeconômico durante o tratamento, por exemplo”, aponta o Dr. Luiz Ayrton Santos Júnior, Presidente Voluntário da FEMAMA. “O Estado e a sociedade como um todo precisam se sensibilizar e colaborar com essas pessoas, garantindo inovação, o cumprimento das leis, o respeito e o cuidado integral com a saúde.”
A defasagem tecnológica e as barreiras à obtenção de diagnósticos ágeis e tratamentos inovadores no Sistema Único de Saúde (SUS) são exemplos da dívida que o Brasil possui com essas mulheres. Um dos principais exemplos dessa lacuna hoje é a dificuldade de acesso à medicina de precisão na rede pública.
“Enquanto a saúde suplementar avança na personalização dos tratamentos, a maior parte das pacientes do SUS ainda esbarra em protocolos padronizados que não atendem às necessidades de todas as pessoas em jornada oncológica. Isso significa que a condição socioeconômica, o CEP e outros fatores externos interferem diretamente na possibilidade da pessoa receber o tratamento adequado para o seu caso ou não, afetando, portanto, suas chances de remissão e cura”, pontua o Dr. Luiz Ayrton.
A ausência de testes genéticos compromete não apenas o tratamento, mas a prevenção primária. Um exemplo prático dessa disparidade é o mapeamento das mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. A identificação dessas alterações genéticas em pacientes elegíveis é fundamental para a prevenção e o manejo adequado do câncer, em especial de ovário e de mama. Sem o acesso facilitado a esse rastreamento no sistema público, perde-se a janela de oportunidade para cirurgias preventivas ou para o uso de terapias-alvo mais eficazes, impactando diretamente a taxa de sobrevida das pacientes. A falta de acesso aos testes também implica no desconhecimento sobre a condição genética presente na família, dificultando a identificação precoce de tumores em seus integrantes.
Conferência de Lideranças em Saúde da Mulher
É com o objetivo de debater soluções para gargalos como este que a FEMAMA realiza a 13ª Conferência de Lideranças em Saúde da Mulher. O evento, que reúne organizações não governamentais, pacientes, médicos, parlamentares e gestores para pensar políticas públicas e alinhar estratégias de advocacy em saúde no país, marca também o início das celebrações de 20 anos da FEMAMA por meio do lançamento de um selo comemorativo.
Neste ano, o foco será a discussão sobre a efetiva implementação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC), e a programação conta com marcos institucionais e políticos importantes. Com apoio da AstraZeneca, Daiichi, GSK, Novartis e Roche, o evento ocorrerá em Brasília e será palco da cerimônia de posse de Dr. Luiz Ayrton Santos Júnior como o novo Presidente Voluntário da FEMAMA. Além disso, a Conferência promoverá a Audiência Pública “Políticas Públicas em Saúde da Mulher e Oncologia: desafios, conquistas e perspectivas”, no dia 26 de março no Congresso Federal, estabelecendo um canal direto de diálogo com o poder público sobre a urgência de efetivação das leis de acesso e incorporação de novas tecnologias.
"As campanhas de março sobre saúde da mulher cumprem um papel vital, mas o nosso desafio prático é fazer com que o sistema de saúde quite sua dívida estrutural com as mulheres. Falar de medicina de precisão, como o acesso ao teste BRCA, e uma implementação verdadeiramente robusta da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC), não é falar do futuro, é exigir o mínimo necessário para o presente. A Conferência e a Audiência Pública são os espaços de oportunidade de transformarmos essa urgência em articulação política real," destaca Maira Caleffi, mastologista, Chefe do Núcleo Mama do Hospital Moinhos de Vento, fundadora e membro do Conselho de Administração da FEMAMA.
A Conferência de Lideranças em Saúde da Mulher é um evento exclusivo para representantes da Rede FEMAMA, parlamentares, gestores públicos e demais convidados da federação. Contudo, a Solenidade de Abertura e o evento legislativo (Audiência Pública) são transmitidos pelos canais oficiais das casas legislativas responsáveis por sediar as ações (Senado e Congresso, respectivamente). As informações de transmissão e link de acesso são divulgadas pela FEMAMA na semana do evento.
A programação está disponível no site oficial: https://femama.org.br/site/conferencia/
Serviço
13ª Conferência de Lideranças em Saúde da Mulher
Sobre a FEMAMA
A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama é uma organização sem fins econômicos que trabalha para reduzir os índices de mortalidade por câncer de mama em todo o Brasil, atuando por mais acesso ao diagnóstico precoce e tratamento adequado com agilidade. Com foco em advocacy, a federação está presente em 20 estados brasileiros e Distrito Federal, através de uma rede com mais de 70 OSCs que oferecem apoio e suporte a pessoas com câncer, e promove o diálogo entre governos e sociedade para influenciar a formação de políticas públicas de controle do câncer mais equitativas e efetivas. Conheça o trabalho da FEMAMA aqui. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
LAURA CASAGRANDE ALEGRE
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