Educadores enfrentam jornada invisível fora da sala de aula e apontam tecnologia como possível aliada

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Educadores enfrentam jornada invisível fora da sala de aula e apontam tecnologia como possível aliada
Imagem Internet
A rotina do professor vai muito além do tempo em sala de aula. Entre planejamentos, relatórios individuais, registros diários, produção de materiais, adaptações pedagógicas e atendimento às famílias, educadores acumulam uma carga de trabalho que frequentemente ultrapassa a jornada formal, invadindo noites e finais de semana sem remuneração. O cenário, além de exaustivo, tem gerado impactos diretos na saúde mental dos profissionais e até mesmo na qualidade do ensino.
De acordo com o professor Pedro Ferreira Júnior, graduado em Pedagogia e com MBA em Gestão Escolar, a estrutura atual da carga horária não acompanha a realidade das demandas. “Um professor com jornada de 24 ou 25 horas semanais tem, em teoria, um terço desse tempo destinado ao planejamento. Mas, na prática, nem todos os municípios cumprem esse direito. E, mesmo quando cumprem, esse tempo não é suficiente para dar conta de todo o trabalho”, explica.
Segundo ele, as tarefas dos professores começam antes das aulas e se estendem para muito depois delas. “Existe todo um processo de planejamento semanal, ou até quinzenal, produção de materiais pedagógicos e organização das atividades. Isso demanda tempo e dedicação fora da escola”, destaca.

A sobrecarga se intensifica ainda mais com a produção de relatórios escolares, considerado um dos processos mais exigentes da rotina docente. Segundo a pedagoga, especialista em Alfabetização e Letramento, Marceli Carvalho, essa é uma demanda contínua e previsível, mas nem por isso menos pesada. “Dependendo da rede, esses relatórios podem ser bimestrais, trimestrais ou semestrais. Ou seja, ao longo do ano, o professor já sabe que precisará produzir dezenas de relatórios individuais. Em uma turma com 20 alunos, por exemplo, são 20 textos a cada período, todos diferentes entre si”, explica.
A complexidade aumenta significativamente com a diversidade em sala de aula. “Hoje temos uma crescente de alunos com deficiência ou com laudos específicos. Isso exige que o professor adapte e flexibilize todas as atividades. Na prática, não é um único planejamento: podem ser dois ou três planejamentos diferentes dentro da mesma turma”, explica Pedro. Ele detalha que um mesmo professor pode precisar estruturar abordagens distintas para atender diferentes perfis de alunos. Além disso, há uma série de exigências documentais específicas. “Com alunos PCDs, por exemplo, é necessário elaborar o Plano Educacional Individualizado - PEI, realizar estudos de caso e construir planejamentos direcionados. Isso tudo demanda muito tempo”, acrescenta.
Marceli destaca que, nesse sentido, surgem demandas extras ao longo do ano. “Muitas vezes, profissionais da área da saúde, como neurologistas ou psicólogos, solicitam relatórios específicos ou questionários sobre determinados alunos. Existe uma ideia equivocada de que o professor apenas dá aula. Mas, antes e depois da sala, há um trabalho contínuo de planejamento, avaliação e adaptação”. pontua a profissional.
Diante desse cenário, a tecnologia surge como uma possível aliada, mas com um ponto essencial: precisa ser pensada junto com os professores. Para Marceli Carvalho, a tecnologia só vai ser realmente eficiente quando for pensada por quem está dentro da sala de aula. Ela destaca que muitas decisões na educação são tomadas sem ouvir o professor, e isso também acontece com as ferramentas tecnológicas. “Quando a tecnologia é construída a partir da realidade do professor, ela deixa de ser genérica e passa a ser uma aliada de verdade”, afirma ela. Pedro reforça que o potencial da tecnologia está diretamente ligado à sua construção e aplicabilidade no contexto real da sala de aula.  Para ele, ela pode sim ser uma ferramenta importante para reduzir a sobrecarga, principalmente mental. Mas, isso só acontece quando ela permite considerar a especificidade da turma e de cada aluno.
Acreditando no desenvolvimento de soluções tecnológicas específicas para a área, os educadores preparam para muito em breve o lançamento de um aplicativo com todas as ferramentas pensadas de professor para professor, visando otimizar o trabalho dos profissionais da área de maneira planejada e assertiva.
 

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AMANDA MARIA SILVEIRA
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