Como montar times criativos remotos, sem perder o ritmo

por Sergio Naiki*

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Como montar times criativos remotos, sem perder o ritmo
Foto/Pexels
É até difícil de acreditar que em pleno 2026 o debate sobre trabalho remoto ainda continua em alta e recentemente voltou ao centro da conversa, impulsionado por decisões públicas de gigantes como Amazon, Nubank e iFood, que anunciaram reorganizações importantes em seus modelos de trabalho antes de finalizar o ano passado. Agora com a alta da gasolina impulsionado pela escalada da guerra envolvendo o Irã, o assunto volta a ser discutido novamente. Sempre que isso acontece, o mercado se divide entre os que defendem o retorno ao escritório e os que insistem que o remoto é o caminho inevitável.

Afinal, por muito tempo, o trabalho remoto foi tratado como um benefício. Algo que empresas “concediam” quando a cultura era madura o suficiente — ou quando a crise obrigava. Nos últimos meses, porém, grandes empresas reacenderam um debate que vai muito além do home office: afinal, como manter ritmo, cultura e performance sem a presença física diária? Para mim, essa nunca foi uma discussão teórica. Nossa empresa nasceu

remota e seguimos assim por escolha. Não porque é mais barato, mais moderno ou mais confortável, mas porque acreditamos que boas ideias surgem quando as pessoas estão bem, conectadas e com autonomia real para entregar. Quando falamos de equipes criativas, a discussão não é sobre onde as pessoas estão sentadas. É sobre como elas são tratadas, como se conectam e como conseguem produzir algo que realmente faça sentido. E isso significa, antes de qualquer coisa, entender que criatividade não gosta de paredes. Ela gosta de ar.

O presencial ainda faz sentido?

Diferente da promessa ultrapassada do “dia fixo na empresa”, nosso presencial é cirúrgico e só acontece quando existe um objetivo claro: um offsite; um encontro estratégico; um momento de conexão profunda que realmente cria valor. Se não amplia o relacionamento, se não fortalece o time, se não faz o trabalho melhor — não faz sentido. Forçar presença para simular produtividade não é gestão; é nostalgia.

O que sustenta o ritmo de um time criativo?

Trabalhamos de um jeito que muita gente estranha à primeira vista: nossos profissionais estão, ao mesmo tempo, envolvidos em múltiplos projetos. E a regra é clara: há um limite de horas de trabalho por dia em cada iniciativa. E esse formato muda tudo! Quando você reparte sua energia entre projetos, algum deles inevitavelmente vira hobby e é aí que mora a mágica. O trabalho deixa de ser um fardo contínuo e vira uma coleção de movimentos. Criar passa a ser mais leve, mais  fluido, mais divertido. A criatividade se alimenta disso. Não é sobre proximidade física e sim sobre propósito compartilhado.

O futuro do trabalho criativo é fluido

Não existe um modelo perfeito para todos, mas existe um erro recorrente: tentar encaixar pessoas criativas em estruturas que já não funcionam. Criar é, por definição, romper padrões. E liderar times criativos hoje exige aceitar isso de forma prática, não apenas conceitual. O debate sobre trabalho remoto não é sobre onde as pessoas trabalham, mas sobre como lideramos. Empresas que tentam reproduzir o controle do escritório no digital tendem a perder energia, talento e ritmo. As que apostam em confiança, clareza e cuidado constroem times mais maduros, criativos e
sustentáveis. E no fim do dia, o ritmo não se perde quando o time está distante. Ele se perde quando falta direção, propósito e respeito pelas pessoas. O trabalho remoto não cria esse problema — ele apenas o torna visível.

*Sergio Naiki é socio-fundador da Korá Performance e atua como designer especialista em User Interface (UI), User Experience (UX) e Customer Experience (CX) há mais de 20 anos

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MILENE MESQUITA MACAROUN
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