Com nove feriados federais ainda no calendário de 2026, além de eleições e Copa do Mundo, empresas precisam revisar férias, recessos, escalas e políticas internas para evitar gargalos operacionais e riscos trabalhistas ao longo do anoA organização dessas frentes deixou de ser apenas uma tarefa administrativa e passou a ter impacto direto na operação, na experiência do colaborador e na previsibilidade de custos.
Em um cenário de jornadas mais flexíveis e maior atenção à experiência do funcionário, decisões relacionadas a folgas, cobertura de equipes e benefícios corporativos exigem alinhamento entre RH, lideranças e áreas financeiras.
A gestão de pessoas exige atenção redobrada, pois o setor lida com diversas questões burocráticas da rotina. Qualquer falha nesse processo pode se transformar em uma questão coletiva capaz de prejudicar o clima organizacional.
Segundo dados do relatório HR Insights Report 2025, as organizações que trabalham estrategicamente na área de RH têm três vezes mais chances de superar o desempenho dos concorrentes em inovação e engajamento da equipe e, diante de momentos desafiadores como os atuais, sua importância tende a se valorizar ainda mais.
Atividades-chave do RH ao longo do ano
Entre as atividades do RH, existem tomadas de decisão que influenciam o funcionamento da empresa ao longo de todo o ano. Por isso, o setor precisa antecipá-las e alinhá-las com as demais lideranças.
No Brasil, existem 10 feriados nacionais previstos em lei federal. Deles, 09 ainda estão para acontecer. Conforme o dia da semana em que essas datas ocorrem, são necessários ajustes nas escalas de trabalho.
A concessão, ou não, de recessos coletivos e emendas de feriado depende da análise estratégica dos impactos da paralisação nos resultados operacionais.
Em setores em que não há pausa, o funcionário recebe remuneração em dobro, o que exige planejamento financeiro da empresa para absorver as despesas extras ao longo do ano.
Nesse contexto, é estratégico que o RH monte um calendário, compartilhe-o com as lideranças e aprove previamente as mudanças, assim como o orçamento gerado pelas datas comemorativas.
A escala das equipes é outra tarefa essencial do começo do ano, geralmente aprovada em conjunto com o calendário anual. As modificações variam conforme o setor de atuação.
Em empresas de serviços essenciais, como indústrias e o comércio, o planejamento de escalas ajuda a revezar os colaboradores e permite que todos desfrutem de pausas sem comprometer a operação.
Já as companhias que lidam com processos gerenciais internos e adotam recessos e emendas com mais flexibilidade devem ser igualmente estratégicas para não atrasar entregas durante os períodos de paralisação.
Não por acaso, muitas empresas recorrem a soluções de Inteligência Artificial para otimizar o modelo operacional do negócio, considerando recessos e mudanças na escala de trabalho, o que pode aumentar a produtividade em até 29%, segundo dados da Gartner.
As férias são o momento mais esperado pelos colaboradores. Para garantir esse direito trabalhista, é fundamental que o RH saiba quem sairá de férias e em que período ao longo do ano.
Essa antecipação ajuda a organizar o formato das férias, que podem ser integrais ou fracionadas, parcialmente vendidas, além dos períodos de férias coletivas.
Como a decisão é negociável, antecipar a resolução permite que o RH cumpra os acordos com os funcionários, reorganize as escalas em cada período e calcule corretamente o gasto total com o terço constitucional.
As experiências de um ano impactam diretamente o próximo. Para evitar a repetição de erros e preservar processos essenciais, é fundamental ajustar a política interna de forma periódica, especialmente no início do ano.
Ter diretrizes, regras e normas de conduta claras orienta o comportamento da equipe e facilita o processo de onboarding de novos funcionários.
Os ajustes relacionados aos benefícios corporativos, definindo quando são mantidos ou suspensos, evitam surpresas na rotina dos colaboradores.
Os primeiros meses do ano também são um ótimo momento para decidir trocar ou incluir novos auxílios que atendam ao feedback da equipe e às suas necessidades atuais.
Segundo o relatório The Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 64% das áreas de RH focarão a saúde mental e física dos colaboradores como estratégia de atração de talentos até 2030.
O período das férias individuais é definido pelas empresas, conforme consta no artigo 136 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Para viabilizar negociações sobre a divisão ou venda de parte das férias, o RH pode estabelecer um período para conversas individuais e comunicar a equipe para mapear todos os casos.
As empresas que optam por férias coletivas no calendário, no fim e/ou no início do ano, devem comunicar, com pelo menos 15 dias de antecedência, o sindicato da categoria, o Ministério do Trabalho e os empregados.
A paralisação pode ter no mínimo 10 dias corridos, conforme previsto nos artigos 139 a 141 da CLT.
Tanto os recessos de fim e início de ano quanto os que acontecem ao longo dos meses devem ser não apenas bem planejados, mas também comunicados à equipe com antecedência.
Como feriados e férias ocorrem em períodos específicos, o RH tem a oportunidade de estudar os ajustes de forma estratégica para evitar passivos trabalhistas no futuro.
Outra vantagem de antecipar as escalas para essas datas é evitar gargalos operacionais que comprometem o rendimento da equipe e os resultados da empresa.
Além de comunicar de forma transparente as datas dos recessos, férias e escalas anuais, as empresas devem cumprir corretamente as regras de concessão dos benefícios corporativos.
O vale-refeição, um dos mais populares nas organizações, pode ser suspenso durante o período de férias e recesso.
Como a função do auxílio é custear as refeições durante a jornada de trabalho, entende-se que não há obrigatoriedade de sua concessão durante os períodos de paralisação.
Entretanto, antes de incluir essa regra, o RH deve checar o acordo coletivo da categoria sobre subsídios alimentares e as especificações definidas. Caso o benefício seja contínuo, a empresa não pode suspendê-lo.
Quando não há acordo da categoria, as empresas podem criar suas próprias regras, visando o bem-estar do colaborador, e oficializar a decisão na política interna.
O planejamento do RH no início de cada ano garante que os processos organizados sejam alinhados com as leis trabalhistas vigentes.
A comunicação objetiva e clara com a equipe assegura não apenas repasses precisos, mas também tempo hábil para o diálogo com os colaboradores.
Essa atenção favorece a melhoria contínua do modelo de trabalho, um fator essencial para a retenção e atração de novos talentos ao longo dos anos.
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ALICE BATISTA DE ALMEIDA
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