Você sabe como funciona o teste balístico em veículos blindados?

Etapa é passo importante para identificar pontos de vulnerabilidade na blindagem e garantir mais segurança aos passageiros

Por ANDRé TAHEIJI
7 Min

Você sabe como funciona o teste balístico em veículos blindados?
Divulgação/Avallon Blindagens

O mercado de blindagem está em expansão. De 2024 para 2025, o setor cresceu 24,6%, segundo dados da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem). Mas, como se certificar de que um veículo está, realmente, protegido contra disparos de armas de fogo? 

O teste balístico é uma das etapas mais rigorosas no processo de validação de veículos blindados. Além de avaliar os materiais utilizados, o procedimento verifica a eficiência da aplicação e a capacidade real de proteção do conjunto. Embora os materiais balísticos passem por testes laboratoriais para obtenção de certificações próprias, o desempenho final depende da forma como são aplicados no veículo. 

“Não é só o material, é preciso observar a sua aplicação e, principalmente, a sobreposição”, afirma Rafael Marques, supervisor de projetos da Avallon Blindagens. Segundo o especialista, fatores como o a aplicação correta de colas, a necessidade de anteparos nas mantas e a forma de instalação são determinantes para o resultado da blindagem. 
 

Qual a importância do teste balístico? 

Diferentemente dos ensaios controlados em laboratório, o teste balístico é aplicado em condições realistas, com disparos efetuados diretamente em veículos blindados a céu aberto, contribuindo para uma avaliação mais fiel do desempenho em situações práticas. Assim, variáveis como velocidade e trajetória do projétil podem extrapolar os padrões controlados, elevando o nível de exigência sobre a blindagem. 

Na Avallon, nos testes conduzidos para certificações de montadoras como Toyota e Lexus, o nível de rigor é ainda maior. São realizados mais de 260 disparos por veículo, com diferentes ângulos e incidências, buscando simular situações críticas e identificar possíveis falhas. O parâmetro para a orientação dos testes é o nível III-A, que é permitido para o uso civil, e conta com defesa para armas como pistolas 9mm, submetralhadoras e o calibre .44 Magnum. Esse processo permite mapear os chamados pontos vulneráveis, ou seja, regiões como colunas e fechaduras, onde a sobreposição de materiais ou a ausência de anteparos pode comprometer a proteção.  

Caso seja identificada alguma falha durante os disparos, o projeto passa por ajustes e novos testes. “Se ela existir, fazemos reparo e uma mudança na forma em que a manta está posicionada. Então, ela é testada novamente”, explica Ricardo. Esse ciclo garante que a solução final atenda aos níveis de segurança exigidos. 

Importante ressaltar que a metodologia utilizada pela Avallon avalia não apenas a resistência dos materiais, mas o desempenho do conjunto da blindagem, incluindo áreas críticas como sobreposições e bordas. Após os testes, são analisados critérios como a não perfuração dos projéteis, a contenção de estilhaços e a integridade estrutural do veículo, assegurando que a proteção não comprometa o funcionamento dos sistemas originais. O processo contribui para uma validação mais próxima das condições práticas de uso e reforça os padrões de segurança adotados pela empresa. 
 

Teste balístico não é o padrão do mercado 

Outro ponto relevante é que nem todas as blindagens disponíveis no mercado passam por esse tipo de validação prática, que não é exigida pelo Exército Brasileiro para a regulamentação da blindagem. Em muitos casos, há apenas uma análise técnica e comercial, sem a comprovação balística no veículo completo.  

“O que acontece, muitas vezes, é que o material tem a resistência balística exigida, mas, dependendo do posicionamento dele, resistência do material de forma isolada não garante proteção. Se a aplicação não for adequada, a segurança do passageiro pode ser comprometida”, afirma o supervisor. 

Por isso, o teste balístico se torna um diferencial importante na obtenção de certificações e na garantia de segurança. Ele valida os insumos utilizados e o processo de engenharia envolvido na blindagem, assegurando que o veículo esteja preparado para situações reais. 
 

Revisão é essencial  

Além da etapa de testes, a manutenção da blindagem também é fundamental para preservar sua eficiência ao longo do tempo. A recomendação é que revisões sejam realizadas a cada 10 mil quilômetros ou 12 meses, seguindo parâmetros semelhantes aos da manutenção automotiva tradicional. 

Em um mercado em expansão e com diferentes níveis de exigência, a realização de testes balísticos completos se consolida como um dos principais critérios para atestar a qualidade e a confiabilidade de um veículo blindado. E a revisão, como ferramenta para a manutenção da segurança. 
 

Confira aqui o teste balístico realizado pela Avallon para a certificação exclusiva Lexus 

 

Sobre a Avallon Blindagens (www.avallonblindagens.com.br) – Com mais de 23 anos de atuação e mais de 20 mil veículos blindados, a Avallon Blindagens é referência no mercado brasileiro de blindagem automotiva. A empresa atua com foco total em engenharia, processos e qualificação técnica, com equipes altamente especializadas em todas as etapas da blindagem. Possui um dos principais centros de blindagem automotiva do Brasil, localizado em Barueri (SP), com 16 mil m², incluindo áreas dedicadas a desmontagem, aplicação dos materiais balísticos, montagem e controle de qualidade, além de showrooms em São Paulo e no Rio de Janeiro. Todos os projetos seguem rigorosamente as exigências legais e técnicas do setor, utilizando materiais balísticos homologados, processos auditados e total rastreabilidade. A Avallon possui certificações das montadoras mais exigentes do mercado, como Toyota e Lexus do Brasil, que validam seus processos por meio de testes balísticos e dinâmicos rigorosos, garantindo a eficiência, a segurança e a integridade do veículo após a blindagem.


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ANDRÉ TAHEIJI FERNANDES TANAKA
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