Brasil tem recorde no uso de fontes renováveis e avança na transição energética

Novas modalidades de acesso a fontes renováveis ampliam a diversificação da matriz energética do país

Por ANDRé ELOI
8 Min

Brasil tem recorde no uso de fontes renováveis e avança na transição energética
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O avanço da transição energética no Brasil ganhou um novo marco recente: o país já gera cerca de 88% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, segundo dados do Balanço Energético Nacional (BEN), divulgados em 2025. O número coloca a matriz elétrica brasileira entre as mais limpas do mundo e reforça um movimento que vem se consolidando nos últimos anos, impulsionado principalmente pela expansão da energia solar e eólica.

Outro dado relevante ajuda a dimensionar esse avanço: juntas, as fontes eólica e solar já respondem por cerca de 23,7% da geração elétrica do país, sendo aproximadamente 9% de origem solar. Esse crescimento acelerado evidencia não só a diversificação da matriz, mas também a consolidação dessas fontes como pilares da expansão energética brasileira.

Os dados fazem parte do Balanço Energético Nacional, levantamento anual elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. O relatório reúne informações sobre produção, consumo e oferta de energia no país e serve como principal referência para acompanhar a evolução do setor elétrico brasileiro.

A importância da diversificação da matriz elétrica para a transição energética no Brasil 

Atualmente, a transição energética no país parte de uma base historicamente favorável, com forte presença de hidrelétricas. No entanto, a dependência desse modelo vem sendo questionada diante de eventos climáticos mais extremos, como períodos prolongados de seca. Esse cenário pressiona custos e evidencia a necessidade de uma maior diversificação da matriz elétrica.

A instabilidade no regime de chuvas afeta diretamente a geração hidrelétrica e leva ao acionamento de fontes mais caras, como termelétricas, impactando a conta de luz do consumidor. 

Além disso, a construção de grandes usinas hidrelétricas também pode causar impactos ambientais relevantes, como alagamento de grandes áreas, perda de biodiversidade e emissão de gases de efeito estufa, provenientes da decomposição de matéria orgânica nos reservatórios. 

Nesse contexto, fontes limpas e renováveis como a energia solar e eólica deixam de ser apenas alternativas e passam a ocupar um papel ainda mais central na segurança energética do país. 

Recordes e expansão das fontes renováveis nas áreas urbanas

O crescimento recente das energias solar (+39,6%) e eólica (+12,4%) mostra como essas fontes têm ganhado escala no país. Juntas, já representam cerca de 23,7% da geração elétrica nacional, consolidando-se como vetores centrais da expansão da matriz, com um avanço que também se reflete nos centros urbanos.

O movimento está diretamente ligado à geração distribuída, modelo que permite produzir energia próxima ao consumo. Hoje, o Brasil soma mais de 4 milhões de sistemas instalados, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), com forte presença no setor residencial. Na prática, o consumidor passa a ter um papel mais ativo, ao mesmo tempo em que o modelo reduz perdas e alivia a sobrecarga da rede elétrica.

Esse crescimento também se explica pela maior aderência dessas fontes ao contexto urbano. Diferentemente de modelos centralizados, a geração distribuída permite instalar sistemas em telhados, comércios e pequenos empreendimentos, aproximando a produção do consumo, o que reduz perdas na transmissão, melhora a eficiência do sistema elétrico e distribui melhor a oferta de energia no território, um ponto relevante em cidades com alta demanda e consumo concentrado.

Além disso, a expansão dessas fontes contribui para reduzir emissões e custos. Ao diminuir a necessidade de acionamento de termelétricas em períodos críticos, as energias solar e eólica reforçam não só o caráter ambiental da transição energética, mas também sua relevância econômica para os consumidores.

Benefícios da energia limpa para o consumidor residencial

Do ponto de vista do consumidor, a energia limpa representa vantagens econômicas que vão além da redução imediata na conta de luz. Sistemas fotovoltaicos podem gerar economias que variam, em média, de 50% a 95%, dependendo do perfil de consumo. Em longo prazo, esse retorno se torna mais evidente diante do aumento contínuo das tarifas de energia.

Além da economia, há também uma maior previsibilidade de gastos. Com a geração própria ou o uso de créditos, o consumidor fica menos exposto às bandeiras tarifárias, acionadas em períodos de crise hídrica e geração mais cara, o que garante maior estabilidade no orçamento. 

Outro ponto relevante é o impacto ambiental. Em um país com abundante luz solar, ao reduzir a necessidade de fontes fósseis, como as termelétricas, a energia solar contribui diretamente para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa, alinhando a economia doméstica a uma matriz elétrica mais sustentável em todo o Brasil. 

Novas formas de adesão e o futuro da matriz elétrica

Nem todos, porém, podem instalar painéis solares em casa, seja por morar em apartamentos ou em imóveis alugados. É nesse ponto que surgem novas alternativas, como a chamada energia solar sem placa.

Nessa modalidade, o consumidor utiliza créditos de energia gerados em usinas solares remotas: a eletricidade produzida nessas usinas é injetada na rede e convertida em créditos, que são abatidos da conta de luz. Dessa forma, o modelo de energia solar sem placas amplia o acesso à energia limpa sem a necessidade de instalação própria e de investimento inicial em sistemas fotovoltaicos. 

O funcionamento do sistema está ligado ao mecanismo de compensação de energia elétrica, regulamentado no país, que permite o uso desses créditos ao longo do tempo. Mesmo com custos associados ao uso da rede elétrica, como a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), o modelo segue competitivo e tende a crescer nos próximos anos.

Um dado que ajuda a dimensionar esse crescimento é o avanço da geração distribuída no país. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), cerca de 83% das instalações de energia solar no Brasil estão concentradas em residências. O cenário reforça como o acesso à energia limpa tem se ampliado, inclusive por meio de modelos mais flexíveis, que não exigem instalação própria e atendem diferentes perfis de consumo.

Assim, em análises de tendências do mercado para o futuro, a projeção é de uma matriz elétrica ainda mais diversificada, com maior participação de fontes renováveis e modelos descentralizados de geração, com cada vez mais independência e praticidade para o consumidor.


 

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ANDRE LUCIO ELOI DE SOUZA FILHO
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