A popularização das canetas emagrecedoras e a nova consciência nutricional do brasileiro estão redesenhando as fábricas de gelados comestíveis no país. De acordo com um levantamento inédito da ABRASORVETE (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis), o setor agora foca em um consumidor que, sob efeito dessas medicações, apresenta menos apetite, mas uma necessidade crítica de nutrientes. "O consumidor sob efeito dessas medicações tem menos apetite, mas precisa manter a massa magra. O sorvete deixa de ser apenas indulgência para virar um veículo de nutrição funcional e prazer controlado", explica Márcio Favaro, presidente da entidade.
O movimento é suportado por dados: 77,8% das indústrias já produzem ou planejam investir em lançamentos de sorvetes proteicos ou funcionais (com Whey, Colágeno ou Fibras) até o final de 2026. A estratégia será o grande destaque da Fispal Sorvetes 2026, principal feira do setor, que ocorre de 26 a 29 de maio no Distrito Anhembi.
A percepção de que o sorvete "saudável" saiu do nicho e ganhou o varejo de massa é confirmada pelo caixa das empresas. A pesquisa aponta que 50% dos fabricantes registraram aumento estimado na procura por esses produtos nos últimos 12 meses:
Além da composição, o formato do consumo mudou. Como o controle de ingestão calórica é rigoroso para quem utiliza medicamentos emagrecedores, as embalagens individuais (picolés e potes pequenos) ganharam protagonismo.
Para 48,1% do setor, esses formatos já superam o tradicional pote de 2 litros em relevância de faturamento. "O foco agora é densidade nutricional. Se o cliente vai consumir uma porção menor, ele quer que aquela porção entregue o máximo de sabor e benefício", pontua Favaro.
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WEDJA SABRINA SOUZA DE MATOS
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