Pesquisa da SOCESP revela baixa percepção sobre fatores de risco cardiovascular e acende alerta
Levantamento será apresentado no 46º Congresso da entidade e aponta que fatores clássicos, como hipertensão, colesterol e diabetes, sequer foram citados espontaneamente pelos entrevistados
Divulgação da SOCESP
A população ainda tem baixa percepção sobre os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, que seguem como a principal causa de morte no país, com 400 mil todos os anos. As conclusões são de uma pesquisa da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), realizada na capital paulista, em cidades do interior e do litoral, e que será apresentada e debatida pela primeira vez no 46º Congresso da SOCESP, que começa na próxima quinta-feira (4 de junho), em São Paulo. De acordo com o levantamento, entre os homens, apenas 32% mencionaram espontaneamente a alimentação inadequada como fator de risco. O sedentarismo foi citado por 26%, seguido por estresse (23%) e tabagismo e consumo de álcool (19%). Entre as mulheres, o estresse emocional lidera as respostas, com 35%, seguido por alimentação inadequada (28%), sedentarismo (20%) e fatores genéticos e histórico familiar (17%). “As respostas foram espontâneas, sem indução ou questionamento direto sobre fatores específicos, o que torna os resultados ainda mais relevantes”, contextualiza o diretor científico da SOCESP e coordenador da pesquisa, Andrei Sposito, que completa: “os dados são preocupantes porque revelam não apenas um baixo nível de conhecimento, mas também lacunas importantes na percepção do risco cardiovascular”. Segundo Sposito, chama atenção o fato de fatores amplamente conhecidos e comprovados pela literatura médica não terem sido mencionados pelos entrevistados. “Ninguém citou, por exemplo, o controle do colesterol elevado, da hipertensão arterial ou do diabetes, que são pilares na prevenção cardiovascular. Também não apareceu a questão dos distúrbios do sono, que hoje sabemos, por inúmeros estudos, ser um fator relevante de risco”, destaca. Outro ponto que passou despercebido foi a obesidade e o sobrepeso. Embora estejam indiretamente associados à alimentação inadequada e ao sedentarismo, não foram citados de forma direta pelos participantes, mesmo sendo uma condição que já afeta cerca de 60% da população adulta brasileira. “Isso evidencia uma dissociação entre o que de fato representa risco e aquilo que a população reconhece como problema”, reforça o diretor científico. A pesquisa também evidenciou diferenças na percepção entre homens e mulheres. Enquanto eles mencionaram com maior frequência o tabagismo e o consumo de álcool, elas destacaram o estresse emocional. “Esse recorte é interessante e dialoga com outros estudos. Os homens, de fato, apresentam maior consumo de tabaco, incluindo cigarros eletrônicos, enquanto as mulheres são mais impactadas pelo estresse, muitas vezes associado à dupla ou tripla jornada”, explica Sposito. Para o especialista, os dados reforçam a necessidade de ampliar estratégias de educação em saúde e comunicação com a população. “Não basta apenas oferecer tratamento. É fundamental que as pessoas reconheçam os fatores de risco e compreendam como pequenas mudanças no dia a dia podem reduzir significativamente a probabilidade de eventos cardiovasculares”, afirma. Os resultados da pesquisa serão debatidos por especialistas durante o 46º Congresso da SOCESP, que acontece de 4 a 6 de junho, em São Paulo. O encontro reunirá cardiologistas e profissionais de saúde, como nutricionistas, educadores físicos, fisioterapeutas, psicólogos, dentistas, entre outros, para discutir caminhos que ampliem a prevenção, o conhecimento da população e a adesão aos tratamentos. “Precisamos transformar informação em ação. Esse é o grande desafio da cardiologia contemporânea”, conclui Sposito. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
JOSE ROBERTO LUCHETTI
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