Visita ao Museu Afro Brasil desenvolve olhar crítico e conexão com a ancestralidade dos jovens da Fundação CASA Guarujá

Atividade com mediação detalhada e contação de histórias africanas possibilitou aos adolescentes usar a arte para conectar o passado às próprias vivências

Por IGOR RIOS
4 Min

Visita ao Museu Afro Brasil desenvolve olhar crítico e conexão com a ancestralidade dos jovens da Fundação
Divulgação / Fundação CASA
Compreender o presente exige, muitas vezes, um mergulho profundo nas raízes do passado. Com esse objetivo, cinco adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Fundação CASA Guarujá, no litoral paulista, subiram a serra no dia 19 de junho para uma imersão cultural no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, localizado no Parque Ibirapuera, na capital paulista.

A visita foi articulada pela Gerência de Arte e Cultura (GAC) da instituição e teve caráter de reconhecimento pedagógico: os jovens foram selecionados pelas equipes de referência com base no engajamento e na evolução de suas metas no centro de atendimento. Acompanhado pela coordenadora pedagógica do centro, o grupo foi recebido pelo arte-educador Daniel Filipe, que transformou o passeio em um espaço de investigação visual e histórica.


Diferentemente de uma visita convencional às galerias, a proposta incentivou os adolescentes a desacelerar e interpretar o acervo com mais profundidade. Eles foram instigados a analisar técnica, composição e símbolos presentes em obras que retratam a memória e a resistência negra no Brasil. Ao longo da mediação, levantaram hipóteses, fizeram perguntas e relacionaram os contextos histórico-sociais das peças com suas próprias realidades na Baixada Santista.

O ponto alto da experiência ocorreu durante a contação do conto africano “Águas de Oxalá”. O educador utilizou a narrativa tradicional para abordar conceitos como respeito, ancestralidade e paciência, conectando a simbologia do mito às obras analisadas anteriormente. A atividade despertou forte interesse no grupo e permitiu a reflexão sobre valores éticos e aspectos de regulação emocional a partir da tradição oral.

Segundo a coordenadora pedagógica do CASA Guarujá, Carolina Souza Brito, a repercussão foi imediata e significativa. “A visita fortaleceu o olhar crítico dos jovens e reafirmou o museu como um território vivo de arte, memória e protagonismo. O uso do conto associado às obras fez com que eles saíssem impressionados com a beleza do acervo e, ao mesmo tempo, refletindo sobre seus próprios papéis e valores na sociedade”, afirmou.

Para o presidente interino da Fundação CASA, Oswaldo Caetano Junior, o contato com o patrimônio histórico é fundamental para o exercício da cidadania. “Aproximar os adolescentes do ambiente de um museu por meio da criação e da mediação artística cria pontes com o futuro, despertando o desejo de continuar estudando e construir novos projetos de vida”, ressaltou.

Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização, e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social. Mais informações em: https://fundacaocasa.sp.gov.br/.

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IGOR NAVARRO RIOS JORDÃO
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