Parede bonita, fiação condenada: o erro clássico de priorizar a estética e ignorar a elétrica na reforma

 A designer de interiores Izabella Biancardine alerta que muitos proprietários gastam todo o orçamento com revestimentos caros, mas mantêm a fiação antiga, colocando em risco a segurança e o funcionamento da casa nova

Por Bendita Letra
4 Min

Parede bonita, fiação condenada: o erro clássico de priorizar a estética e ignorar a elétrica na reforma
Izabella Biancardine, designer de interiores, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras. 
 

Pisos sofisticados, marcenaria planejada, iluminação decorativa e revestimentos de alto padrão costumam liderar a lista de prioridades em uma reforma. O problema é que, muitas vezes, toda a atenção e o orçamento ficam concentrados na estética, enquanto a infraestrutura elétrica permanece a mesma. O erro pode trazer prejuízos financeiros e até colocar a segurança dos moradores em risco.

Segundo dados da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), falhas nas instalações elétricas estão entre as principais causas de incêndios em residências no país. Em imóveis mais antigos, a situação é ainda mais preocupante, já que a rede elétrica frequentemente não foi dimensionada para suportar a quantidade de equipamentos utilizados atualmente.

Para a designer de interiores Izabella Biancardine, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras há mais de 20 anos, é comum encontrar clientes que investem pesado nos acabamentos, mas deixam de revisar a parte elétrica. "Muitas pessoas acreditam que a reforma termina quando a casa fica bonita visualmente. Mas, se a infraestrutura não acompanha essa transformação, os problemas aparecem logo depois da mudança", explica.

A profissional ressalta que aparelhos como ar-condicionado, fornos elétricos, cooktops por indução, sistemas de automação e equipamentos de entretenimento exigem uma demanda energética muito maior do que a prevista em projetos executados décadas atrás. Sem uma atualização adequada, a sobrecarga se torna inevitável.

Outro erro frequente é a compra de materiais sem certificação ou com especificações inadequadas. Fios com bitolas incorretas, disjuntores incompatíveis e componentes de baixa qualidade podem comprometer o desempenho da instalação e aumentar significativamente os riscos de curto-circuito. "A economia feita nessa etapa costuma ser pequena perto do prejuízo que um problema elétrico pode causar", alerta.

De acordo com Izabella, a avaliação da rede elétrica deve ocorrer ainda na fase de planejamento da reforma. Isso permite que o projeto seja desenvolvido considerando a distribuição correta de tomadas, pontos de iluminação e equipamentos, evitando intervenções futuras e gastos desnecessários.

O cuidado também impacta diretamente a qualidade dos ambientes. Especialista em iluminação, a designer explica que um projeto eficiente depende não apenas da escolha das luminárias, mas de uma estrutura capaz de suportar o sistema proposto com segurança e desempenho adequado.

"Uma reforma bem executada começa pelo que ninguém vê. A estética é importante, mas ela não pode vir antes da segurança. Quando infraestrutura e design caminham juntos, o resultado é um ambiente bonito, funcional e preparado para durar muitos anos", conclui.

Conheça mais sobre o trabalho da profissional: Instagram @biancardine_interiores.

 

Fonte: Izabella Biancardine, designer de interiores, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras. 


 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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