Cigarro eletrônico pode substituir o tradicional? Pneumologista explica os riscos

Mesmo proibidos no Brasil, cigarros eletrônicos seguem em alta e reforçam a desinformação sobre métodos para largar o cigarro

Por RAQUEL REIS
4 Min

Cigarro eletrônico pode substituir o tradicional? Pneumologista explica os riscos
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Apesar de proibidos no Brasil, os cigarros eletrônicos ainda são amplamente utilizados no país, impulsionados principalmente pela falsa percepção de que seriam menos prejudiciais do que o cigarro tradicional ou até uma alternativa para quem deseja parar de fumar. Um levantamento da Universidade de São Paulo (USP), divulgado em 2024, apontou crescimento de 600% no consumo desses dispositivos nos últimos anos.

Na prática, porém, especialistas alertam que os riscos à saúde são  elevados. Além de manter a dependência da nicotina, os dispositivos eletrônicos contêm substâncias tóxicas capazes de provocar doenças respiratórias graves, irritações nas vias aéreas e até aumentar o risco de câncer.

Para o pneumologista credenciado da Omint, Dr. Ricardo Teixeira, o principal equívoco está justamente na ideia de que o vape seria uma alternativa menos nociva ao cigarro tradicional. “O vape não é composto apenas por nicotina. Existem diversas substâncias químicas e metais pesados presentes no líquido que podem ser extremamente prejudiciais à saúde”, alerta.

Outro ponto de atenção é a quantidade de nicotina consumida ao utilizar o vape. Alguns dispositivos, segundo o especialista, podem equivaler a cerca de 20 cigarros tradicionais, enquanto usuários intensivos chegam a realizar centenas de tragadas por dia.

A ideia de que outras formas de consumo, como narguilé e tabaco artesanal, seriam menos prejudiciais também precisa ser desmistificada. Segundo o médico, no caso do tabaco enrolado, muitas vezes não existe filtro, o que aumenta a inalação de alcatrão e monóxido de carbono. Já o narguilé pode expor o usuário a uma quantidade extremamente alta de fumaça em uma única sessão, além de aumentar os riscos de transmissão de doenças devido ao compartilhamento do equipamento.

Dependência química e hábito comportamental exigem abordagens diferentes

Segundo o pneumologista, parar de fumar exige compreender dois fatores: o vício químico e o hábito comportamental. “O vício é aquele momento em que a pessoa acorda e sente necessidade urgente de fumar ou fica desesperada quando o cigarro acaba. Já o hábito está associado a situações do cotidiano, como o cafezinho, o pós-almoço ou a roda de amigos. Identificar essa diferença é fundamental para escolher o melhor tratamento”, explica.

De acordo com o especialista, o tratamento do vício pode envolver acompanhamento médico, suporte psicológico e terapias de reposição de nicotina, como adesivos e gomas. Já o hábito exige mudanças de comportamento e atenção aos gatilhos do dia a dia. “Tentar evitar situações que estimulam o cigarro e substituir esse momento por outra atividade ajuda bastante no processo de cessação”, afirma.

Recursos terapêuticos podem auxiliar no processo de cessação

Segundo o pneumologista, as únicas formas consideradas aceitáveis de uso da nicotina são aquelas utilizadas temporariamente dentro de programas de cessação do tabagismo, como adesivos transdérmicos e gomas de nicotina, sempre com orientação profissional.

Nesses casos, o objetivo não é substituir permanentemente o cigarro por outra fonte de nicotina, mas utilizar esses recursos de forma controlada e por tempo limitado para reduzir gradualmente a dependência e facilitar a interrupção do tabagismo.


 

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