A hora é agora: por que julho é o momento ideal para imigrar com crianças?
Alinhamento com o início do ano letivo americano, em agosto, evita prejuízos pedagógicos e facilita a adaptação; especialistas explicam por que o mês é o escolhido pelas famílias e alertam para a "estratégia do CEP" na escolha da escola pública
Bruno Lossio, Nathalia Guedes e Henrique Scliar são advogados especialistas em imigração e mobilidade global. Fonte: Divulgação/Arquivo pessoal
Julho marca a reta final para as famílias brasileiras que desejam se mudar para os Estados Unidos com filhos em idade escolar antes do início do ano letivo americano, em agosto. Especialistas em imigração afirmam que alinhar a mudança ao calendário das escolas facilita a adaptação das crianças e evita problemas com matrícula, escolha da moradia e documentação.
Diferente do Brasil, onde o ano letivo começa geralmente em fevereiro, nos Estados Unidos as aulas têm início após as férias de verão do Hemisfério Norte. A chegada durante o mês de julho permite que o estudante seja matriculado a tempo de começar o novo ciclo junto com os demais colegas, reduzindo os impactos acadêmicos, sociais e emocionais da mudança de país.
O erro recorrente de quem imigra sem orientação profissional é ignorar esse timing e subestimar as burocracias locais. Para a advogada de imigração da SLS Legal Advisory, licenciada nos Estados Unidos, Nathalia Guedes, uma imigração de sucesso deve respeitar a "vida real", além dos formulários.
"Muitos pais chegam aos EUA com o visto na mão, mas sem o tempo necessário para estabelecer o comprovante de residência exigido para a matrícula. Nos EUA, você não escolhe a escola; você escolhe o bairro. Chegar em cima da hora, no meio de um ano letivo, significa aceitar o que sobrou no mercado imobiliário, muitas vezes em distritos escolares com avaliações inferiores", explica Nathalia, especialista em imigração familiar e empresarial.
O "Limbo" Acadêmico e a Estratégia do CEP
Uma das maiores dúvidas das famílias é como fica o currículo escolar na transição entre o calendário brasileiro (janeiro a dezembro) e o americano (agosto a junho). Na prática, quem sai do Brasil em junho já cursou metade do ano letivo, mas ao chegar nos EUA encontrará o início de um novo ciclo.
Henrique Scliar, especialista em imigração e mobilidade global da Premium Global Mobility Partner, explica que essa defasagem exige uma escolha estratégica. "Se a criança terminou o 5º ano no Brasil em dezembro e muda em janeiro, ela entrará no meio do 5º ano americano, 'repetindo' o conteúdo, mas ganhando tempo para aprender o idioma. Já quem muda no meio do ano, em julho, precisa decidir junto à escola se vai avançar um semestre que não cursou ou retroceder para garantir a base. Estar estabelecido em julho permite que essa decisão seja tomada com calma", orienta Scliar.
Diferente do Brasil, onde a qualidade do ensino costuma ser associada a instituições particulares, nos Estados Unidos a educação pública de alta performance é financiada por impostos locais. Isso significa que o valor do aluguel ou do imóvel está diretamente ligado à nota da escola do bairro.
Além da localização, a idade da criança é um fator determinante. A data de corte (cut-off date) americana é, geralmente, 1º de setembro. "Crianças que fazem aniversário após essa data podem ser posicionadas em séries diferentes do que os pais esperavam. É um ajuste que exige orientação profissional para não desmotivar o aluno logo na chegada", reforça Henrique Scliar.
Suporte, adaptação cultural e próximos Passos
Para tranquilizar os pais, os especialistas lembram que o sistema público americano é altamente inclusivo. O programa English as a Second Language (ESL) permite que crianças sem fluência no inglês recebam suporte especializado dentro da sala de aula, sem necessidade de isolamento. Detalhes culturais, como o uso do icônico transporte escolar amarelo e a adaptação ao lunch (almoço americano), também fazem parte do processo de imersão que se torna mais suave quando feito nas férias de julho.
Para evitar que a mudança se torne um pesadelo burocrático, os pais devem providenciar a tradução juramentada do histórico escolar e a atualização da carteira de vacinação conforme as exigências do estado de destino, que costumam ser mais rígidas que as brasileiras.
"Imigrar com filhos exige uma engenharia de calendário. O visto é o bilhete de entrada, mas o planejamento escolar é o que garante a permanência tranquila da família", finaliza Bruno Lossio, especialista em mobilidade e direito internacional.
Check-list de Planejamento Imediato (Julho)
Para as famílias que estão vivendo essa transição agora, os especialistas apontam três prioridades imediatas antes do início das aulas em agosto:
- Moradia: Definição do endereço e assinatura do contrato de aluguel para garantir o Proof of Residency (comprovante de residência) aceito pelo distrito escolar.
- Saúde: Apresentação da carteira de vacinação traduzida e agendamento do Physical Exam (exame físico obrigatório) com um pediatra local.
- Educação: Alinhamento com a diretoria da nova escola para avaliar o nível acadêmico e definir a série ideal do aluno.
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Sobre os especialistas:
Nathalia Feitosa Guedes é advogada licenciada nos Estados Unidos (Texas) e partner da SLS Legal, com atuação direta em processos de imigração baseada em trabalho, família e casos específicos como o Military Parole in Place. Com experiência prática no sistema migratório americano desde 2018, iniciou sua trajetória atuando na linha operacional dos processos, como legal assistant e paralegal, o que lhe garantiu uma visão completa, desde a preparação até a aprovação dos casos.
É mestre em Direito (LL.M.) pela Texas A&M School of Law, membro ativa da Texas Bar e também inscrita na OAB de Santa Catarina, o que permite uma leitura comparativa entre os sistemas jurídico brasileiro e americano. Além da atuação jurídica, integra a reserva da Marinha dos Estados Unidos desde 2022 como Logistics Specialist, trazendo um diferencial raro na análise de casos migratórios envolvendo militares e suas famílias, além de uma compreensão prática das exigências e critérios aplicados pelo governo americano.
Sobre Henrique Scliar:
Henrique Scliar é especialista em Mobilidade Global, Direito Internacional, Tributação e Expatriação Corporativa, CEO da SLS Legal e da Premium Global Mobility, empresas referências em imigração, mobilidade global e planejamento patrimonial e sucessório. Atua na estruturação de projetos migratórios e empresariais para os Estados Unidos, unindo estratégia jurídica, planejamento tributário e conformidade migratória. É LL.M. em Direito Imigratório pela University of Southern California (USC) e especialista em Direito Tributário.
Sobre Bruno Lossio: Bruno Lossio é advogado especializado em Direito Internacional e Imigratório e CEO da SLS Legal Advisory CEO da Premium Global Mobility Partner, empresas referências em imigração, mobilidade global e planejamento patrimonial e sucessório, com sede em Washington, D.C. É também sócio do LSF Advogados Associados, no Brasil, além de coordenar o Centro de Estudos e Atualizações em Direito Internacional do Instituto Nêmesis. Sua trajetória e visão estão registradas no livro “Incendiários- Os Códigos das Mentes Imparáveis”, em que mostra que, com estratégia, coragem e propósito, é possível transformar o conhecimento jurídico em liberdade geográfica e realização pessoal.
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