Transformar o Rio em uma cidade mais inteligente exige integração, inovação e cooperação entre poder público, iniciativa privada e sociedade. Essa foi a tônica do primeiro dia do IV Fórum Rio Empreendedor, promovido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), nesta quarta-feira (22), no Centro da capital. Sob diferentes enfoques — da transformação digital à segurança pública, da energia à cultura e ao lazer —, o evento debateu como tecnologia, inovação e gestão integrada podem contribuir para construir uma cidade mais eficiente, conectada e preparada para os desafios do futuro.
Logo na abertura, o presidente da ACRJ, Josier Vilar, destacou que o conceito de cidade inteligente vai além da tecnologia e deve estar conectado à melhoria da qualidade de vida da população. "Uma cidade inteligente não é uma cidade que tenha somente tecnologia. A tecnologia deve existir, mas ser invisível para a população. O que importa é que ela seja capaz de formar cidadãos", afirmou.
Na oportunidade, o presidente da ACRJ anunciou o lançamento do Ninho do Empreendedor Digital, plataforma gratuita criada para apoiar micro, pequenos e médios empresários já estabelecidos e quem deseja empreender. Por meio de parcerias estratégicas com instituições públicas e privadas, a plataforma vai concentrar diversos serviços em um ambiente virtual, com tudo que um empreendedor necessita para viabilizar um negócio já existente ou um novo empreendimento.
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, ressaltou a importância do diálogo entre o poder público e o setor produtivo para impulsionar o desenvolvimento econômico do estado. "O Estado precisa deixar de ser um obstáculo e passar a ser um facilitador para quem quer empreender. Queremos criar um modelo em que o empreendedor tenha um único ponto de atendimento para resolver todas as etapas da abertura de um negócio. O Estado precisa atrair investimentos", disse.
A transformação digital e a modernização da gestão pública abriram a programação de debates. Especialistas defenderam que a construção de cidades inteligentes passa pela integração de sistemas, pela digitalização dos serviços públicos e pelo uso da tecnologia para tornar a administração mais eficiente, transparente e próxima da população. Presidente da La Salle Technova Barcelona, Josep Piqué destacou que a inovação deve estar voltada para a solução dos desafios da sociedade. "O objetivo da inovação é responder aos desafios da sociedade. O propósito vem antes da tecnologia", resumiu.
A transparência pública também foi apontada como um dos pilares de uma cidade inteligente. O secretário de Estado da Casa Civil, Flávio Willeman, apresentou iniciativas do Governo do Estado voltadas à ampliação do acesso da população às informações sobre obras, contratos e compras públicas, defendendo um modelo de governo aberto. "Todo cidadão tem o direito de exigir contas do Estado. Isso só será possível por meio de um governo aberto, transparente e apoiado pela tecnologia", afirmou.
O mesmo entendimento norteou o painel sobre experiências em cidades inteligentes. Os participantes defenderam que inovação e tecnologia só fazem sentido quando estão voltadas para melhorar a vida das pessoas, promovendo inclusão, sustentabilidade e desenvolvimento urbano. "Uma cidade inteligente é, antes de tudo, uma cidade humana e sustentável", resumiu a especialista em Smart Cities, Regiane Romando.
A segurança pública também esteve no centro dos debates. Os participantes defenderam que o avanço das cidades inteligentes depende da capacidade de transformar dados em políticas públicas mais eficientes, integrando tecnologia, infraestrutura e diferentes órgãos da administração. Para o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, "uma cidade inteligente não se constrói apenas com tecnologia. Ela se constrói com dados bem estruturados, integração entre os órgãos e decisões baseadas em evidências".
A importância da infraestrutura energética para o desenvolvimento econômico do estado também ganhou destaque. Os debatedores ressaltaram o protagonismo do Rio de Janeiro nos setores de petróleo, gás, pesquisa e inovação, defendendo que a transição energética e o fortalecimento das redes de infraestrutura representam oportunidades para ampliar investimentos, gerar novos negócios e aumentar a competitividade do estado.
Encerrando a programação, o painel sobre entretenimento, cultura e lazer reforçou que uma cidade inteligente também precisa ser planejada para promover convivência, educação e inclusão. Ao abordar o papel do urbanismo na transformação dos espaços públicos, o arquiteto Miguel Pinto Guimarães defendeu que o desenvolvimento urbano deve aproximar pessoas e ampliar o acesso à cultura. "O Rio é uma cidade que precisa ser costurada, mas essa costura pode ser feita por meio de boas políticas públicas e do urbanismo, trazendo diversidade para o espaço público", afirmou.
O IV Fórum Rio Empreendedor segue nesta quinta-feira (23), na sede da ACRJ, com uma programação que reúne painéis, debates, talk shows, experiências imersivas e oportunidades de networking e geração de negócios. Ao longo dos dois dias, o evento aborda temas estratégicos para o futuro da cidade, como governo digital, cidades inteligentes, segurança pública, mobilidade urbana, sustentabilidade, inovação, energia, empreendedorismo, inclusão digital, economia criativa e desenvolvimento econômico.
O evento é realizado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), através do Instituto Mauá, com a correalização da Fundação Getulio Vargas (FGV) e apoio FAPERJ.
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Marcus Vinicius Querne Pessoa
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