22/08/2023 às 16h05min - Atualizada em 23/08/2023 às 08h34min

Mitos e Verdades sobre os Cuidados Paliativos: terapia tem o propósito de melhorar a qualidade de vida do paciente

Ainda cercado por tabus e associado à ideia de finitude da vida, eles são um complemento ao tratamento de cura.

Nicola Moreira Ferreira
Hospital Santa Catarina
Atualmente, no mundo, estima-se que mais de 56 milhões de pessoas precisam de cuidados paliativos. Os números da WHPCA (Worldwide Hospice Palliative Care Alliance), organização internacional não governamental que se concentra no desenvolvimento dos Cuidados Paliativos e Hospices no mundo, mostra que cada vez mais pacientes precisam desse modelo de tratamento. O cuidado paliativo, no entanto, ainda é um tabu, cercado por mitos e dúvidas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o cuidado paliativo como a assistência promovida por uma equipe multidisciplinar com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e familiares, diante de uma doença que ameaça a vida. Para isso, o corpo médico entra em ação ao tentar identificar precocemente tanto a dor, quanto sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais do paciente.  Profissionais de cuidados paliativos monitoram constantemente esses indicadores e conversam com os pacientes para informá-los sobre o estado da doença. Ou seja, diante de alguma doença como câncer, esclerose lateral amiotrófica ou doenças neurodegenerativas, uma equipe especializada busca um tratamento direcionado para reduzir a dor e o sofrimento do paciente.
Com os avanços constantes da medicina, cada vez mais pacientes estão vivendo vidas longas e saudáveis. É o caso dos pacientes com HIV, que segundo a WHPCA, são o segundo grupo que mais busca por esse modelo. Da mesma forma, as novas técnicas e procedimentos inovadores empregados no tratamento de pacientes oncológicos têm tido uma resposta positiva na longevidade. E tem sido cada vez mais frequente a adoção do cuidado paliativo durante o tratamento oncológico. Um dos principais objetivos é reduzir os efeitos causados pela enfermidade. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o método alivia a dor em mais de 90% dos pacientes com câncer. Apesar disso, muitas pessoas ainda associam os cuidados paliativos a uma sentença de morte.
Tratamento complementar com foco na qualidade de vida
“O resultado que o cuidado paliativo traz para a vida das pessoas evoluiu bastante ao longo dos anos. No entanto, apesar de diversas pesquisas e estudos comprovarem a eficácia do cuidado paliativo, ainda existem muitas concepções erradas acerca do tratamento. Existe uma percepção, até pelo emprego coloquial do termo paliativo, como algo que é uma sentença ou um remendo, que não vai resolver o problema. Só que a realidade de muitas doenças é que elas não podem ser resolvidas com uma única intervenção ou com uma série de intervenções”, explica o Dr. Antonio Cavaleiro, oncologista clínico e coordenador da Oncologia do Hospital Santa Catarina - Paulista.
“O objetivo do cuidado paliativo não é substituir o tratamento curativo tradicional de uma doença, mas sim complementá-lo”, esclarece a médica geriatra e paliativista, Dra. Juliana Lianzza. “Dor, limitação física, perda de alguma função que antes exerciam, tudo isso traz muito sofrimento e é nesse sofrimento que a gente tenta atuar. Não só o médico, mas uma equipe multiprofissional com psicólogos, enfermeiros, fisioterapeuta, fonoaudiólogos, entre outros profissionais”, completa.
O tratamento curativo tradicional é fundamental e deve ser seguido sempre, mas o cuidado paliativo atua de forma complementar e é fundamental para agregar qualidade de vida, conforto e uma maneira do paciente e seus familiares lidarem melhor com os problemas que a doença traz.
“Muitas vezes, eu vejo um paciente tomando decisões que priorizam manter o tratamento, a despeito do resultado para a qualidade de vida e de como aquilo ajuda ele a viver com a doença, sem espaço para reclamar do que realmente o incomoda. É como se as demandas da doença e da próxima tomografia tivessem primazia em relação a como o paciente de fato se sente ao longo do curso do tratamento”, observa o Dr. Cavaleiro. “Os cuidados paliativos não aceleram ou adiam a morte. O objetivo principal é oferecer a melhor qualidade de vida ao paciente, seja durante 6 meses ou 65 anos. As decisões tomadas pela equipe médica são focadas na pessoa e nos seus anseios, medos e dores”, explica o coordenador da Oncologia.
Principais características dos Cuidados Paliativos
Os cuidados paliativos têm como finalidade promover uma melhor qualidade de vida do paciente e de seus familiares, por meio de um tratamento digno, humanizado e acolhedor. Confira as principais características do tratamento:
        Fornecem alívio da dor, redução do sofrimento e de outros sintomas angustiantes;
        Não tem a intenção de acelerar ou adiar a morte;
        Integram os aspectos psicológicos e espirituais do cuidado ao paciente;
        Oferecem um sistema de apoio para ajudar os pacientes a viverem o mais ativamente possível até a morte;
        Oferecem um sistema de apoio para ajudar a família a lidar com a doença do paciente e com seu próprio luto;
        Utilizam uma abordagem em equipe para atender às necessidades dos pacientes e suas famílias, incluindo aconselhamento de luto, quando necessário;
        Melhoram a qualidade de vida através do controle de sintomas descompensado (dor, náuseas, falta de ar, falta apetite, depressão, ansiedade etc.) e podem influenciar positivamente o curso da doença;
        São aplicáveis no início do curso da doença, em conjunto com outras terapias que visam prolongar a vida, como quimioterapia ou radioterapia, e incluem as investigações necessárias para melhor compreender e gerenciar complicações clínicas angustiantes.
 

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