25/08/2023 às 15h43min - Atualizada em 26/08/2023 às 08h12min

Tabagismo: Entenda as consequências do cigarro no aparelho digestivo

Uso contínuo do tabaco pode contribuir para o aparecimento de diversas doenças que vão desde um refluxo gastroesofágico até diferentes tipos de cânceres

Ana Claudia Gabriel Domingos Dantas
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) enquadra a dependência do cigarro no grupo de transtornos mentais e de comportamento em consequência ao uso de substâncias psicoativas, como a nicotina, presente nos derivados do tabaco. No Brasil, algumas datas são dedicadas a promover ações que alertem a população dos danos causados pelo uso do cigarro, como o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no país são mais de 160 mil mortes anuais em decorrência do tabagismo.

Doenças causadas pelo tabaco vão muito além das cardiovasculares e respiratórias, há uma relação de aproximadamente 50 enfermidades, incluindo danos graves ao sistema digestivo, que é um conjunto de órgãos responsáveis pela digestão dos alimentos e, consequentemente, a absorção dos nutrientes. Ele se estende desde a boca, onde se inicia a digestão mecânica, e vai até o ânus, onde os resíduos desses processos são eliminados. Quando ocorre um desequilíbrio, vitaminas, minerais, glicose e demais componentes necessários para o bom funcionamento das células não são absorvidos da maneira correta, o que pode acarretar o mau funcionamento dos demais órgãos do corpo humano.
 
“O tabagismo afeta de forma negativa o sistema digestivo, trazendo inflamações nos tecidos. Quando essas inflamações se cronificam, ou seja, ficam presentes por longas datas, as células afetadas podem sofrer variações, aumentando o risco de desenvolvimento de diversos tipos de cânceres”, informa a Dra. Thayla Amaral, médica cirurgiã especialista em Cirurgia Digestiva e Bariátrica.

Entre os cânceres do aparelho digestivo, consequência do fumo de longa data, estão o de esôfago, estômago e de pâncreas, onde o indivíduo pode desenvolver disfagia (dificuldade para engolir), dor abdominal intensa, emagrecimento, inapetência, vômitos com sangue e obstrução, podendo levá-lo a óbito. De rápida evolução, é importante que o diagnóstico dessas doenças seja feito o mais breve possível. Elas podem ser observadas e diagnosticadas por meio de exames como endoscopia digestiva alta, tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética.

Além dessas doenças de maior gravidade, outros tipos de enfermidades também são comuns, como a saúde bucal, responsável pela primeira fase da digestão, inflamações de garganta, gastrite, úlceras gástricas, pancreatite e refluxo gastroesofágico, que consiste no retorno alimentar do conteúdo estomacal para o esôfago, causando azia, queimação, inflamações na garganta, erosões dentárias, pigarro, entre outros problemas.

“Infelizmente os danos no aparelho digestivo tendem a ser crônicos, mas há meios de minimizá-los, principalmente se houver a interrupção do hábito de fumar o mais breve possível. Alguns sintomas como o refluxo tendem a ser amenizados na primeira semana após a suspensão do tabaco, porém, alguns danos celulares poderão ainda persistir.Por isso, é importante manter o rastreio ao longo do tempo, mesmo após a suspensão total do cigarro”, alerta a Dra. Thayla.

Os cigarros eletrônicos também estão na lista de potenciais perigos à saúde. “Uma pesquisa publicada no periódico World Journal of Oncology, levantou dados sobre o histórico de câncer e de consumo do vape. Com o uso do cigarro eletrônico, o diagnóstico de câncer acontece em média aos 45 anos, contra 63 em fumantes tradicionais. Isso prova a agressividade que esse dispositivo traz para o corpo humano, além da precocidade do desenvolvimento dos sintomas”, finaliza a especialista.
 

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