24/08/2023 às 10h14min - Atualizada em 27/08/2023 às 08h09min

Você sabe o que é autorreferência?

Autorreferência ou ideias de referência não é um transtorno mental, segundo a psiquiatra Kelly Robis, mas pode afetar a saúde mental das pessoas 

Cristiane Miranda Malheiros
Freepik
Você já conheceu alguma pessoa que acha que tudo é sobre ela? Pois bem, saiba que isso pode ser o que a psiquiatria denomina as ideias de referência, também conhecido como ideias de autorreferência. “Esse é um fenômeno mental que faz com que a pessoa acredite que ela é o centro do universo, é o centro das decisões do outro, sendo que muitas vezes isso não acontece de fato. A autorreferência não é um transtorno mental, mas pode estar presente em alguns transtornos mentais. Em alguns casos, essa distorção do pensamento é tão grave que pode configurar um delírio”, explica a psiquiatra Kelly Robis, professora da UFMG e PUC/Minas.

As ideias de referência são uma espécie de crença falsa, pois dominam o pensamento da pessoa e afetam também o humor e comportamento. Esse fenômeno mental faz com que a pessoa tenha uma interpretação incorreta de incidentes causais e de acontecimentos externos, como se esses se referem diretamente a si mesmos em um grau intenso. 
 
De acordo com a psiquiatra, a autorreferência pode estar presente em alguns transtornos mentais de forma leve ou até mesmo mais grave. “Nos traços de personalidade narcisista, a pessoa pode acreditar- de forma equivocada- de que os outros estão focando em suas próprias qualidades e, muitas vezes, a invejando. Já na fobia social, a pessoa pode achar que está sendo  excessivamente julgada, que seus defeitos estão muito expostos, sendo que muitas vezes as pessoas não estão reparando nisso”, explica.

Nos traços de personalidade borderline, a autorreferência pode se manifestar como uma interpretação distorcida a respeito da intenção do outro. “Na verdade, na personalidade borderline é comum existir um viés aumentado para as atitudes do outro que pode significar, por exemplo, rejeição ou abandono. Então, muitas ações do outro que podem ser desprendidas ou distraídas, não voltadas para a pessoa, podem ser interpretadas como atitudes de represália ou atitudes de abandono”, ressalta Kelly Robis.

Qual o tratamento?

De forma geral, quando essas distorções cognitivas são mais leves, é possível ajudar o paciente apenas com psicoterapia. “Já nos graves mais graves, quando temos quadros psicóticos onde a pessoa tem delírios achando que o outro está observando e a julgando, é preciso medicação e psicoterapia”, diz a psiquiatra Kelly Robis.

A médica explica que em todos esses casos relatados existe uma distorção cognitiva, que parte de uma alteração denominada viés atencional. A psiquiatra explica: “Esse viés atencional é o que a gente mais presta atenção em uma história. Por exemplo, uma pessoa que tem um quadro depressivo tem uma tendência a captar os dados da história que são mais melancólicos”.

E nas pessoas com autorreferência? “Nos casos das pessoas que têm essa autorreferência, elas captam dados das histórias que comprovam, em teoria, que elas estão no centro do universo, mas como é uma alteração de viés atencional, a pessoa está filtrando errado as informações. Ou seja, ela acredita que o outro a está considerando mais nas decisões do que realmente está”, finaliza.

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