21/02/2024 às 14h21min - Atualizada em 23/02/2024 às 00h39min

71% dos sítios arqueológicos em florestas na Amazônia Legal estão sob áreas desmatadas

De um total de 3.150 sítios em áreas desmatadas analisados pela reportagem, 12,5% (394) localizam-se em Unidades de Conservação, Terras Indígenas ou Quilombolas.

Lisiane Müller
https://infoamazonia.org/2024/01/30/71-dos-sitios-arqueologicos-em-florestas-na-amazonia-legal-estao-sob-areas-desmatadas/
InfoAmazonia

Por Lisiane Müller

Segundo informações do Prodes, são consideradas áreas desmatadas aquelas onde houve “a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso”. Essa técnica se dá quando, em uma determinada área, todas as árvores (ou a maioria delas) são derrubadas ao mesmo tempo e, em geral, de maneira uniforme. O estado do Acre é o que tem uma quantidade excepcionalmente alta de sítios em áreas desmatadas, atingindo o percentual de 97% em 2023. Em seguida, vem os estados de Mato Grosso, com 79%, Rondônia, com 76%, e o Maranhão, com 73%. Pará fica com 66%, enquanto Roraima e Tocantins despontam com as menores taxas em áreas florestais, de aproximadamente 36% e 40%, respectivamente.

Arqueologia, sistematização e fiscalização

As pesquisas arqueológicas sistemáticas na Amazônia começaram na década de 40, marcada por expedições como as da arqueóloga americana Betty Meggers, pioneira em estudos na Amazônia e que contribuiu de maneira crucial para a área, inclusive na execução do Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas na Bacia Amazônica (PRONAPABA). Mas de maneira problemática, por décadas a abordagem científica utilizada entre pesquisadores, ainda que tenha produzido muitos dados em relação à arqueologia da região, foi centrada em um viés colonizador, com uma visão eurocêntrica, que frequentemente desconsiderava a complexidade e a diversidade das culturas amazônicas.

 

Oficina de cerâmica com inspiração Afro na comunidade quilombola de Jocojó. Foto: Acervo de Cássia Benathar

Um dos objetivos da cooperativa, em conjunto com a Associação dos Remanescentes de Quilombos de Gurupá (ARQMIG), entidade que possui a titulação das terras no local, é organizar e identificar todas as nascentes dos igarapés e os sítios arqueológicos. Embora mantenha contato com profissionais da arqueologia, em especial do Museu Goeldi, Agenor Pombo expressa preocupação com o retorno prático que chega às comunidades em relação às pesquisas científicas realizadas.


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