02/04/2024 às 12h12min - Atualizada em 02/04/2024 às 20h20min

A importância da segurança alimentar para o aprendizado

Como os alimentos podem ajudar na melhora da cognição

Instituto Âncora Educação
Divulgação/IAE
Por Profa. Dra. Rita Maria Lino Tarcia*
 
A alimentação é um direito básico de todo cidadão, além de uma necessidade fisiológica vital e, para que promova saúde, em todos os níveis - físico, mental e emocional - deve se apresentar em quantidade e qualidade adequada a fim de garantir a segurança alimentar.

No Brasi, pouco mais que 50% dos cidadãos não tiveram, em algum momento, comida no fim de 2020.  Em 2022, 21,1 milhões de pessoas no país estavam em insegurança alimentar grave, caracterizado por estado de fome. Este quadro de insegurança alimentar que aumentou na pandemia se deve, entre outros, a alguns fatores como o desperdício de alimentos; a explosão demográfica; a degradação do solo; a mudanças climáticas e crises econômicas.

Desde o útero materno a nutrição tem relevante importância para a boa formação dos tecidos e desenvolvimento do cérebro. A ausência de alguns nutrientes, como o ácido fólico, encontrado em feijões, em vegetais folhosos escuros, o ferro, presente nas carnes, leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão de bico), nas fases iniciais da vida, pode comprometer algumas funções cerebrais e levar a disfunções no hipocampo, área responsável pela memória.

E diante dos desafios econômicos, das mudanças climáticas, o que poderíamos fazer a fim de ajudar nossas crianças e adolescentes para, do ponto de vista nutricional, melhorar seu aprendizado? Já dizia o pai da medicina, Hipócrates: “Faz do alimento, o teu medicamento”.

Uma alimentação variada e adequada às nossas necessidades, com o mínimo de alimentos ultraprocessados (ricos em açúcares, gordura e sal, além de aditivos químicos) e com o máximo de alimentos naturais (frutas, verduras, grão integrais e colorida), é capaz de nos oferecer os nutrientes necessários para o bom funcionamento cognitivo. Assim, alguns alimentos poderiam ser priorizados para melhorar a cognição, por exemplo: substituir o achocolato por cacau em pó 100%, priorizar o consumo de vegetais verdes escuros (acelga, agrião, almeirão, rúcula, chicória, couve, escarola, espinafre, folhas de beterraba e brócolis), de frutas roxas, sardinha, ovos, abacate, café e chá de Melissa. Por outro lado, alguns alimentos podem piorar a cognição, devendo ser minimamente consumidos como: açúcar, alimentos com alto teor de gordura saturada (alimentos de origem animal) e gordura trans (presente em biscoitos, sorvetes, cremes vegetais, massas instantâneas, salgadinho de pacote, bolos prontos, chocolate ao leite, pipoca de micro-ondas); alimentos ultraprocessados e o contato excessivo com os agrotóxicos (o Brasil é campeão mundial de uso destas substâncias).

Você deve estar pensando: “comer bem custa caro”. Porém, uma boa alimentação é um investimento em saúde, um dos pilares de qualidade de vida e uma forma de prevenirmos doenças. Ao comprar os alimentos de época (ver safra do mês no CEAGESP), podemos encontrar alimentos mais baratos, mais nutritivos e com menos agrotóxicos. Por falar nisso, o Instituto de Defesa do Consumidor, o IDEC disponibiliza um link para que possamos encontrar feiras orgânicas perto de casa com alimentos no mesmo valor e, às vezes, mais baratos do que os recheados de agrotóxicos, verdadeiros venenos para nossa saúde.

Evitar o desperdício de alimentos é uma outra estratégia importante para evitar a insegurança alimentar. O Brasil é um dos países que mais produz alimentos no mundo e, por outro lado, é um dos que mais desperdiça. O programa alimente-se bem do SESI disponibiliza conteúdo informativo e sugestões de receitas saborosas, nutritivas e práticas, a partir do aproveitamento integral de alimentos.

Nos dias atuais nossa atenção é fisgada por inúmeros distratores e se nossas crianças e adolescentes não estiverem atentos, como irão aprender? Como nos alimentos todos os dias, várias vezes, este é um bom momento para treinar a atenção. A postura ao comer é outra oportunidade de melhorar a aprendizagem pois pode treinar o foco, a atenção. Neste sentido, o horário de refeição deve ser reservado para este fim, sem distratores (TV, computador, celular) a fim de que se cultive o hábito de manter um único foco na “tarefa de comer”, já que o cérebro não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo.

Que possamos nos nutrir com atenção e a intenção de nos cuidarmos mais, melhor, pois desde o útero materno, a alimentação significa cuidado e carinho em nossas vidas!


*Colaboradora no Instituto Âncora Educação e professora da Universidade Federal de São Paulo.
 

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