Buracos nas vias expõem falta de planejamento e má qualidade de materiais dos asfaltos

Coordenador técnico do Mova-se Fórum de Mobilidade, Miguel Angelo Pricinote, aponta que embora o problema se evidencie no período chuvoso, a questão climática não é a principal causa das ruas esburacadas. Especialista defende maior fiscalização e adoção de tecnologias modernas

Por KASANE COMUNICAÇÃO
5 Min

Buracos nas vias expõem falta de planejamento e má qualidade de materiais dos asfaltos
Crédito Freepik

As recentes chuvas intensas em Goiânia têm exposto as condições precárias do asfalto nas principais vias da cidade, especialmente com relação aos buracos que surgem após os fortes temporais. O problema não é exclusivo: o Brasil é o segundo país com o pior asfalto do mundo, segundo estudo feito pelo portal CupomVálido, com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do portal britânico Compare The Market. As patologias do asfalto, como rachaduras, buracos e deformações, são comuns em várias regiões do Brasil e afetam significativamente a qualidade de vida da população, o que evidencia a urgência de soluções eficazes. 

Para o coordenador técnico do Mova-se Fórum de Mobilidade, Miguel Angelo Pricinote, a análise das causas dessa situação revela um conjunto de fatores interligados, dentre os quais se destacam: a falta de planejamento adequado para a manutenção das vias, a utilização de materiais de baixa qualidade nas obras de pavimentação, a execução inadequada dos serviços e a ausência de fiscalização eficaz. “A consequência direta desses fatores é a redução da vida útil do pavimento, principalmente no período chuvoso, gerando custos elevados para a sociedade com a realização de reparos constantes, como as operações tapa-buracos, e a substituição prematura do revestimento”, avalia Pricinote. 

Os impactos da deterioração da malha viária são multifacetados e englobam desde os aspectos econômicos até os sociais e ambientais. Do ponto de vista econômico, o coordenador do Mova-se destaca que os buracos nas ruas geram prejuízos significativos para os usuários, com o aumento dos custos de manutenção dos veículos, a perda de tempo em decorrência de congestionamentos e a elevação dos custos operacionais das empresas de transporte. “Sob a perspectiva social, a precariedade da malha viária compromete a segurança dos usuários, além de comprometer a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida”, pontua. 

Soluções 

Para reverter esse quadro, é fundamental a adoção de um conjunto de medidas que visem à melhoria da gestão da malha viária. Nesse sentido, Pricinote ressalta a necessidade de investir em planejamento estratégico e priorizar a utilização de materiais de ponta, a adoção de tecnologias modernas de pavimentação e a realização de um controle de qualidade rigoroso durante a execução das obras como medidas essenciais para garantir a durabilidade do pavimento. “Em Nova York, nos Estados Unidos, por exemplo, o clima é levado em conta tanto na execução quanto na manutenção do pavimento. Os materiais usados consideram o histórico de clima de cada estação, já que o revestimento asfáltico é muito suscetível a temperatura, para o frio e para o calor”, explica. 

Outro modelo de sucesso é aplicado nas ruas de Berlim, na Alemanha, onde, além de utilizarem maior espessura de camada asfáltica e maior compactação do solo de fundação, há a restrição da circulação de caminhão em pistas específicas dentro da cidade. No Brasil, para que esse cenário fosse viável, Pricinote entende que a fiscalização rigorosa das obras de pavimentação e a aplicação de penalidades para as empresas que não cumprirem as normas técnicas são medidas indispensáveis para garantir a qualidade dos serviços prestados e a preservação dos pavimentos. “A deterioração da malha viária urbana é um problema complexo que exige soluções integradas e de longo prazo”, finaliza. 

Sobre o Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade @movaseforumdemobilidade        

O Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade foi criado em 2021 por especialistas em mobilidade urbana de diversas áreas, com o intuito de discutir e contribuir com soluções para a mobilidade do Brasil. O grupo, que começou com quatro integrantes e hoje conta com mais de 600 profissionais – entre técnicos, pesquisadores e professores do segmento no país –, tornou-se destaque em pesquisas e desenvolvimento de conhecimento sobre transporte público, pedestres, vias inteligentes e temas relacionados.    


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CAROLINA OLIVEIRA DE ASSIS
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