O sonho do microapartamento próprio

(*) Scharlise Minte

Por JULIA ESTEVAM
4 Min

O sonho do microapartamento próprio
Thiago Silveira

Provavelmente, você já deve ter se deparado com propagandas ou até mesmo “memes” na internet sobre o aumento da procura, e dos preços, de apartamentos do tipo “Studio”. Esses microapartamentos muitas vezes possuem uma localização estratégica facilitando o acesso aos serviços presentes nos centros das grandes cidades, o que faz com que esses empreendimentos possuam um valor agregado considerável, porém mais acessível, por se tratar de empreendimentos compactos.

Em 2016, os “studios” representavam 12% dos lançamentos imobiliários, número que subiu para 34% em 2022. Segundo Goldman Sachs Research (área de pesquisa da consultoria de investimentos Goldman Sachs), 80% de todas as vendas de imóveis na cidade de São Paulo, em 2024, foram os chamados “studios”. Esse aumento na demanda pode ser devido a sua facilidade e lucratividade em ser construído.

Estudos indicam que o tamanho ideal para uma habitação familiar seria em torno de 40 metros quadrados. O microapartamento, com um quarto e um banheiro, possui em torno de 24 metros quadrados, atendendo uma pessoa solteira, ou um casal. Isso resulta em mais unidades para venda no empreendimento.

Pela limitação de espaço, a procura por esses microapartamentos possuí um público recorrente de jovens solteiros e idosos que passaram a morar sozinhos, mas essa grande demanda também reflete o aumento de casais que optaram por não ter filhos, pois esse tipo de moradia não comporta, com qualidade de vida, uma família.

Essa mudança reflete uma transformação no estilo de vida das pessoas, onde a rotina exige flexibilidade, que esses imóveis proporcionam de forma mais acessível e muitas vezes eficiente, com plantas onde o cliente pode optar pelo conceito aberto e sua facilidade de manutenção e limpeza diários, fazendo com que assim o indivíduo possua mais tempo de qualidade em outras funções fora do lar. Além da localização, esses empreendimentos tendem a possuir uma infraestrutura de lazer no próprio condomínio.

Esses apartamentos menores surgiram, inicialmente, para tornar as áreas centrais mais acessíveis para toda a população e assim desafogar o transporte público. Porém o mercado de investidores imobiliários enxergou nesses microapartamentos uma possibilidade lucrativa, o que fez com que esses empreendimentos tivessem uma valorização acima do esperado e assim se tornando inacessíveis a parte mais carente da população.

Hoje em dia muitos jovens prospectam adquirir um “studio”, mas fica o questionamento: se o mercado imobiliário não tivesse aumentado tanto o preço dos imóveis, esse jovem cogitaria adquirir um “studio” e ficar mais tempo sem filhos ou ele compraria um primeiro apartamento maior e já planejaria iniciar uma família?

Acredito que essa febre dos “studios” será sazonal e que estamos nos aproximando cada vez mais de edifícios multifuncionais onde encontramos microapartamentos, coberturas e toda a infraestrutura, além da localização estratégica, porém também com um valor imobiliário inflacionado pela especulação imobiliária que definirá o padrão de consumo das próximas gerações.

 

(*) Scharlise Minte - Arquiteta e Urbanista, especialista em Arquitetura Sustentável, Manager em Projetos BIM. Tutora dos Cursos de Pós-Graduação no Centro Internacional Universitário Uninter.


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JULIA CRISTINA ALVES ESTEVAM
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