Cantareira opera na Faixa 3 de Alerta e chega ao menor nível em quatro anos

Com menos de 40% do volume útil, sistema impõe restrição na captação de água e amplia riscos para empresas de grande consumo em São Paulo

Por THIAGO BAEZ
5 Min

Cantareira opera na Faixa 3 de Alerta e chega ao menor nível em quatro anos
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O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, passou a operar na Faixa 3, de Alerta, após registrar queda no volume útil, em 1º de julho, atingindo 39,87%, o nível mais baixo para o início do mês em quatro anos. Com isso, a Sabesp está autorizada a captar no máximo 27 metros cúbicos por segundo do sistema, valor menor que os 33 metros cúbicos permitido em condições normais, conforme a Resolução Conjunta ANA/SP Águas nº 925/2017.

Composto por cinco reservatórios interligados (Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro), o Sistema Cantareira conta com volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Entre o fim de 2025 e o início deste ano, ele passou cinco meses na faixa 4, nível crítico. Somente em fevereiro, com o registro de chuvas acima da média, retornou a faixa 3, de alerta. No entanto, apesar da redução do nível dos reservatórios, o Governo de São Paulo e a Sabesp afirmam que não há previsão de racionamento por hora.


Seca pode agravar problema
O sinal de alerta fica ainda mais evidente ao notar que o período de estiagem regulatório definido pela ANA e pela SP Águas vale de 1º de junho a 30 de novembro de 2026. Isso significa que a Faixa 3 registrada agora reflete apenas o início do ciclo mais seco do ano, e não o seu ponto de estabilização. Isso significa o início de uma temporada que exige atenção redobrada de empresas de grande consumo que dependem do sistema público de abastecimento, como por exemplo: hospitais, redes de varejo, indústrias e condomínios.

"A Faixa 3 do Cantareira não é um evento isolado de clima. É um indicador operacional que toda empresa de grande consumo em São Paulo deveria estar acompanhando com a mesma atenção que dedica a energia ou insumos críticos. Quem já tem diagnóstico do próprio consumo entra nesse período de estiagem sabendo exatamente qual é a sua exposição. Quem não tem, vai descobrir o tamanho do problema quando ele já estiver na fatura ou na operação", observa Pedro Vitali, cofundador da T&D Sustentável, greentech referência em economia de água no Brasil.

A restrição de captação não se traduz apenas em risco de pressão ou intermitência no fornecimento. Ela expõe uma fragilidade estrutural comum a operações que nunca mediram com precisão quanto de água efetivamente utilizam, onde ocorrem perdas e qual seria o impacto real de uma redução no fornecimento. Sem esse diagnóstico, decisões sobre contingência, reserva ou renegociação de contrato de abastecimento são tomadas sem base técnica.

Com isso, os impactos se distribuem de forma desigual. No varejo, redes com centenas de lojas acumulam consumo invisível que corrói margem sem aparecer como prioridade na agenda da diretoria. No setor de saúde, hospitais sob processo de acreditação passam a ter a gestão hídrica como critério avaliado, não apenas como questão sanitária. Em instituições de ensino, a redução de consumo, por exemplo, pode liberar recursos diretamente aplicáveis em outras prioridades operacionais.

A água sempre foi vista como um insumo garantido. A Faixa 3 do Cantareira mostra que ela precisa começar a ser tratada como um risco operacional. E, como todo risco, quanto antes for conhecido e gerenciado, menor será seu impacto

Sobre a T&D Sustentável:
A T&D Sustentável é uma GreenTech brasileira fundada em 2018, com sede em Macaé (RJ), referência nacional em economia de água para médios e grandes consumidores. Por meio do sistema proprietário, a empresa possui um hub de soluções assumindo a gestão hídrica completa de hospitais, redes de varejo, indústrias, instituições de ensino, hotéis, shoppings e condomínios, sendo remunerada sobre a economia gerada para o cliente. Já são mais de 1,7 bilhão de litros de água economizados e cerca de R$ 60 milhões economizados em todo o Brasil. A empresa foi eleita Startup Nº1 na categoria Water and Sanitation do Ranking 100 Open Startups por quatro anos consecutivos (2022, 2023, 2024 e 2025).
 

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THIAGO ENRIQUE BARRETO BAEZ
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FONTE: https://tedsustentavel.com.br/
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